domingo, 17 de maio de 2009


Campina doce menina

Por entre as serras a descansar

O teu lençol feito de neblina

Encobre as belezas que o sol faz revelar

 

Vim me abrigar em teus braços

Enebriar-me em teus amassos

Em tuas ruas caminhar meus passos

Nos teus ombros meus cansaços encostar

 

Sentir no rosto o teu ar invernal

Poder voltar a ser menino

Esconder-me em teu vestido junino

Numa festa sem igual

 

Há teu São João

Fogueira, bandeirola e balão

Forró, Luiz Gonzaga, baião

Do mundo se fez o maior e outro não existe não

 

Sois a rainha da Borborema

Nascida como de um poema

Onde o povo nasce e sonha

Sem pesadelo ou aflição medonha

 

Lá onde brigam o galo e a raposa

Voam a borboleta e a mariposa

Por sobre a praça do poeta adormecido

Nunca vi lugar mais belo nem nada parecido

 

Eis me aqui Campina Grande

Vim tomar-te como amante

Em teu seio me aninhar

 

Cuida de mim princesa da serra

Que por ti meu amor nunca se encerra

E em devoção irei te amar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Despojos de guerra


Castiguei com meus olhos a tua inocência
Quando fitei teu corpo branco em flor
Desejei tua boca rosada, molhada ao redor dos dentes
Teu peito arfante e inquieto, alvos seios inocentes

Tuas mãos pequenas teus olhos de mar
Tomavam e retinham tudo que havia em mim
Meu corpo queima, minha boca seca
Nada há mais em mim que não te pertença

Nada há em ti que eu não deseje
Eu te violo em pensamentos
Em espasmos de gozo e êxtase
Perco-me no vale entre os brancos montes

Já não somos dois e a fusão é completa
Tu ris e choras, olhos cerrados, mãos espalmadas
Os lábios mordidos e as pernas a me laçar
De repente meu nome explode em tua boca

Teu corpo desfalece como pássaro abatido em vôo
Leves espasmos restam ainda, despojos de guerra
Teus poros se desfazem do arrepio
E eu te abraço e te abraço.
Fábio Viégas 02/Abril/2009